PINGA FOGO - A Cavalaria e os Donos do Estábulo
- REDAÇÃO
- há 22 horas
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Dizem os mais antigos que, quando a cavalaria começa a se movimentar, é sinal de que algo está mudando no horizonte. Não necessariamente aponta quem vencerá a corrida, mas costuma servir de alerta para aqueles que acreditam que o caminho seguirá livre e sem obstáculos.
Nos bastidores do reino, observa-se um fenômeno curioso. Enquanto alguns cavaleiros experientes conhecem cada curva da estrada e cada armadilha do percurso, há quem prefira ouvir apenas os escudeiros que vivem de aplausos fáceis e elogios decorados. O resultado é que o mapa da jornada acaba sendo desenhado por quem nunca precisou enfrentar uma tempestade de verdade.
A arte de politicar, que exige diálogo, paciência e habilidade para construir pontes, vem sendo substituída por uma perigosa competição de rótulos. Quem questiona é tratado como adversário. Quem alerta é visto como pessimista. Quem ajudou a erguer as muralhas passa a ser mantido do lado de fora dos portões.
Enquanto isso, a oposição observa. Sem muito esforço, vê crescer ao seu redor um exército formado não apenas pelos descontentes de sempre, mas também por antigos aliados que já não enxergam vantagens em permanecer num modelo onde a experiência vale menos que a bajulação.
Os anos passam, os cenários mudam e as lições continuam as mesmas. Governos raramente enfrentam dificuldades por falta de apoiadores; geralmente tropeçam quando deixam de ouvir aqueles que conhecem o caminho. E quando a cavalaria começa a se reunir do outro lado do campo, talvez o problema não seja a força dos adversários, mas a quantidade de amigos que decidiram desmontar e seguir em outra direção.
No fim das contas, os desavisados costumam olhar apenas para a poeira levantada pelos cavalos. Os mais atentos, porém, observam quem está saindo da tropa e perguntam por quê.
Por: Alirio Junior/JNHOJE









