PINGA FOGO — Enquanto um lado descarta cartas importantes do baralho, o outro acolhe e já mostra um pouco do que está por vir

Na política, como no baralho, ninguém joga sozinho. Tem carta que parece pequena na mão, mas quando chega a hora certa pode mudar completamente a partida.
O problema é quando quem está com o baralho na mão começa a descartar justamente aquelas cartas que ajudaram a construir o jogo. Articuladores, lideranças e figuras políticas que ontem eram consideradas peças importantes, hoje parecem ter virado carta fora do baralho.
E carta descartada, meus amigos, não desaparece. Alguém pode muito bem recolher.
Enquanto um lado parece ocupado em escolher quem fica e quem sai da mesa, o outro vai fazendo o movimento inverso: acolhe, conversa, aproxima e, discretamente, começa a montar sua própria mão.
E aí está a parte interessante da partida: algumas cartas que foram consideradas sem valor por um jogador podem ganhar outro significado quando chegam às mãos de quem sabe onde pretende chegar.
A oposição, que até pouco tempo parecia apenas ensaiar seus primeiros movimentos, começa a apresentar sinais de organização. Ainda não virou o jogo, é verdade. Mas já dá para enxergar algumas cartas sendo colocadas sobre a mesa.
E política é assim: quem joga fora demais pode acabar fortalecendo o adversário sem perceber.
No fim, talvez a pergunta não seja quem tem o melhor baralho, mas quem está sabendo jogar com as cartas que recebeu.
Porque, enquanto uns continuam descartando, outros já estão embaralhando.
E quando as cartas começarem a ser distribuídas de verdade... aí veremos quem estava apenas jogando fora e quem estava, silenciosamente, preparando a próxima rodada.
PINGA FOGO:
Na política, carta descartada hoje pode ser justamente o trunfo de amanhã.
Por: Alirio Junior/JNHOJE









