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PINGA FOGO - Quando o reinado esquece o próprio exército, a queda do muro pode ser lema, mas eminente

Todo reino tem seus castelos. Alguns são erguidos com pedras, outros com promessas. Mas há uma verdade que atravessa séculos: nenhum trono permanece de pé quando o rei passa a acreditar que governa sozinho, com soberba e grandes interesses dos poucos.


No início, o monarca abraça seus soldados, escuta seus generais e distribui esperança. Com o tempo, porém, a corte cresce, os bajuladores se multiplicam e o espelho do palácio passa a refletir apenas aquilo que o soberano deseja enxergar.


É nesse momento que nasce a soberba.


Os antigos aliados deixam de ser companheiros e passam a ser apenas peças descartáveis. Quem antes era chamado de "guerreiro fiel" agora recebe apenas silêncio. As portas do castelo se fecham para os que ajudaram a levantar suas muralhas, enquanto os grandes interesses de poucos passam a ocupar os salões mais nobres.


O problema é que nenhum reino sobrevive apenas com aplausos da corte.


São os soldados que enfrentam as batalhas, defendem as fronteiras e sustentam a confiança do povo. Quando eles começam a sentir o peso do abandono, da arrogância e da falta de reconhecimento, a espada perde o brilho e o escudo já não protege o trono.


A história nunca foi gentil com governantes que confundiram lealdade com submissão.


Os impérios mais poderosos não ruíram apenas pela força dos inimigos. Muitos desmoronaram porque ignoraram o descontentamento dentro das próprias muralhas. Enquanto o rei comemorava vitórias imaginárias, o exército já marchava em silêncio... mas em outra direção.


Há quem pense que poder é permanente. Não é.


O poder é um empréstimo concedido pelo tempo, sustentado pela confiança e renovado pelo respeito. Quando a soberba ocupa o lugar da humildade e os interesses de poucos passam a valer mais que o esforço da maioria, a contagem regressiva começa sem fazer barulho.


E quando o primeiro tijolo da fortaleza cai, geralmente já é tarde para mandar reconstruir os muros.


Porque todo reinado pode parecer inabalável.


Até descobrir que a verdadeira força nunca esteve na coroa, mas nas mãos que a mantinham de pé.


Na política, como nos antigos reinos, quem deixa seu exército sufocado pela soberba e pelos interesses de poucos pode descobrir, cedo ou tarde, que a queda não costuma avisar quando vai chegar.


Por: Alirio Junior/JNHOJE

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