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PINGA FOGO - Quando o prefeito tenta levantar voo mas a gravidade o mantém no solo. Tá difícil não menino?

Tem hora que parece que o avião está pronto para decolar: pista liberada, motor roncando, discurso afinado e vontade de ganhar altitude. O problema é que, na hora do vamos ver, aparece a velha conhecida gravidade — aquela força invisível que puxa tudo de volta para o chão.


E não adianta acelerar demais quando o trem de pouso está cheio de amarras.


Por essas bandas, a impressão é que o prefeito até tenta levantar voo. Faz pose de comandante, olha para o horizonte e parece dizer: “Agora vai!”. Só que, quando começa a corrida pela pista, surgem os obstáculos de sempre: agentes de gestão com decisões atravessadas, falta de preparo e improvisos que, em vez de ajudar a aeronave a ganhar altitude, parece disputar quem segura mais forte a asa.


O problema talvez nem seja falta de vontade de voar. É excesso de peso dentro da cabine.


Tem gente que ainda parece confundir administração pública com laboratório de experiência. Outros tratam cargo como se fosse prêmio de consolação. E, enquanto uns aprendem a pilotar durante o voo, o município fica esperando que alguém finalmente descubra onde fica o manche.


E aí fica difícil, não menino?


Porque governo não é brinquedo de montar. Não basta ter boa intenção, apertar alguns botões e esperar que o painel acenda. É preciso planejamento, experiência, equipe preparada e, principalmente, entender que o avião é público — portanto, ninguém deveria estar pilotando pensando apenas no próprio destino.


O mais curioso é que, quando a aeronave não sai do chão, sempre aparece alguém culpando a pista, o vento, a chuva, o combustível ou até o passageiro da última fileira.


Só não se pergunta se o problema está justamente nos agentes de cabine.


Enquanto isso, os interesses particulares vão criando pequenas e grandes amarras. Cada grupo puxa para um lado, cada aliado quer seu espaço, cada projeto pessoal quer prioridade e, no final, quem deveria ajudar a aeronave a decolar acaba funcionando como âncora.


O prefeito pode até estar olhando para cima.


Mas, para chegar lá, primeiro vai precisar olhar para dentro.


Porque não existe decolagem com equipe despreparada segurando o avião no chão. E muito menos existe altitude quando cada passageiro de gestão acredita ser dono da cabine.


No Pinga Fogo, fica apenas a pergunta, com aquela dose necessária de malícia:


Será que o problema é a gravidade... ou tem gente fazendo força para o avião não sair do lugar?


Tá difícil, não menino? 🍹🔥


Por: Alirio Junior/JNHOJE

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