PINGA FOGO - O menino do entretenimento que Aprendeu a Jogar
- REDAÇÃO
- 23 de jun.
- 2 min de leitura
Os desavisados continuam rindo. Afinal, sempre é mais confortável desprezar um adversário do que compreendê-lo

Enquanto muitos discutem quem ocupa o palco principal, há quem prefira observar os bastidores. Afinal, na política, nem sempre quem segura o microfone é quem escolhe a próxima música.
Ao som do menino que construiu um império, expandiu seus negócios e hoje parece conhecer os corredores do poder tão bem quanto os corredores dos seus empreendimentos, algumas peças começam a se movimentar no tabuleiro. Curiosamente, sem ocupar gabinete, sem colecionar cargos e sem fazer discursos inflamados, seu nome costuma aparecer sempre que o assunto é articulação.
Por muito tempo foi tratado como figura secundária. Para alguns, um simples empresário. Para outros, alguém que deveria permanecer restrito aos negócios. Mas os mesmos que desdenhavam sua capacidade agora o classificam como uma potencial ameaça ao sistema. Não por aquilo que diz, mas por aquilo que consegue reunir ao redor da mesa.
Enquanto isso, há quem continue acreditando que governar se resume a ouvir aplausos. Cercados por especialistas em concordar com tudo, certos gestores parecem ter desenvolvido alergia a conselhos sinceros. A experiência foi trocada pela bajulação. O diálogo cedeu espaço aos rótulos. E quem ousa alertar sobre as curvas da estrada logo recebe o carimbo de adversário.
A velha arte de politicar, construída com paciência, escuta e habilidade para agregar, vem sendo desprezada por aqueles que acreditam que o poder é eterno e que a lealdade pode ser comprada com cargos ou afagos. O resultado é previsível: os conselheiros mais experientes se afastam, os aliados históricos diminuem o entusiasmo e os insatisfeitos encontram novos pontos de encontro.
É justamente nesse vazio que surgem os articuladores. Aqueles que entendem que política não se faz apenas em palanques, mas também nos cafés, nos corredores, nas conversas discretas e nos apertos de mão longe dos holofotes.
Os desavisados continuam rindo. Afinal, sempre é mais confortável desprezar um adversário do que compreendê-lo. Porém, a história ensina que os maiores movimentos raramente começam sob refletores. Eles costumam nascer em conversas ignoradas por quem acredita que já venceu.
E talvez esteja aí o maior erro dos que preferem a bajulação à razão: confundem silêncio com fraqueza e discrição com ausência. Quando percebem que o jogo mudou, as peças já estão em movimento e o menino que um dia construía seu império já aprendeu, há muito tempo, a dar as cartas.
Por: Alirio Junior/JNHOJE








